
Começamos a última etapa de A Rota 18 deixando Beja pela IP2 em direção ao sul. Os primeiros quilómetros decorrem numa estrada ampla, com excelente piso e faixas generosas que permitem deixar a cidade para trás com conforto, enquanto o tráfego urbano vai desaparecendo pouco a pouco.
Logo regressamos às paisagens abertas do Baixo Alentejo. A ambos os lados da estrada voltam a estender-se as grandes explorações agrícolas, dehesas e campos de cultivo que caracterizam esta região. O ar transporta o aroma da terra e da vegetação, enquanto o som do motor volta a impor-se sobre qualquer outro ruído.
A condução é muito fluida graças às longas retas e às curvas suaves que acompanham este primeiro troço. É um percurso perfeito para começar o dia com calma, desfrutando da amplitude da paisagem e da sensação de liberdade que oferecem as intermináveis planícies alentejanas.
Com apenas uns quilómetros percorridos, deixaremos a IP2 para procurar estradas mais tranquilas e mais interessantes. O troço termina numa faixa de desaceleração, onde deveremos desviar-nos suavemente para a direita para entrar na M521 e continuar a rota no troço seguinte.

Mal se abandona a IP2, a rota muda por completo de personalidade. A ampla estrada principal dá lugar à M521, uma via secundária muito mais estreita e tranquila que se adentra no coração do Alentejo. O trânsito praticamente desaparece e começa uma condução muito mais relaxada, onde cada curva e cada pequena mudança de inclinação convidam a desfrutar da paisagem.
A estrada serpenteia suavemente entre extensos olivais, campos de cultivo e dehesas salpicadas de azinheiras. Na primavera, as bermas enchem-se de flores silvestres que dão cor ao percurso, enquanto o aroma da vegetação e o canto dos pássaros substituem o bulício da cidade que deixámos para trás há apenas alguns minutos.
O percurso atravessa a pequena localidade de Selmes, uma tranquila aldeia de casas brancas onde o ritmo de vida parece decorrer sem pressas. Ao abandonar as suas ruas, a estrada volta a internar-se entre suaves colinas e amplos horizontes, oferecendo bonitas panorâmicas sobre o mosaico agrícola que caracteriza esta comarca do Baixo Alentejo.
A condução é especialmente agradável graças ao bom estado do piso e às curvas amplas que se ligam umas às outras sem dificuldade. É um desses troços que convidam a abrandar o ritmo, abrir a viseira e deixar-se acompanhar pelo ar ameno do campo e pelo inconfundível som do motor.
O troço termina num cruzamento em T, onde teremos de virar à direita para entrar na N258 e continuar a rota.

A N258 leva-nos para leste por uma estrada ampla, com bom piso e curvas suaves que permitem desfrutar de uma condução muito fluida. Em ambos os lados estende-se a paisagem característica do Baixo Alentejo, com grandes explorações agrícolas, olivais e dehesas salpicadas por azinheiras que desenham um horizonte aberto e luminoso.
Depois de deixar Pedrógão para trás e cruzar as proximidades do rio Guadiana, a estrada avança entre suaves colinas onde o aroma da vegetação e o canto das aves acompanham o constante rumor do motor. Em alguns pontos, longas fileiras de pinheiros oferecem agradáveis zonas de sombra antes de o paisagem voltar a abrir-se sobre os campos de cultivo.
À medida que nos aproximamos de Moura começam a aparecer as primeiras vinhas e explorações agrícolas que anunciam a chegada a uma das localidades mais importantes do interior alentejano. Aos poucos aumenta a presença de habitações e de tráfego, enquanto a silhueta da cidade começa a destacar-se no horizonte.
Moura merece uma breve paragem para percorrer o seu centro histórico, presidido pelo imponente castelo medieval e pela torre de menagem, de onde se obtêm magníficas vistas da região. As suas ruas caiadas, praças tranquilas e esplanadas convidam a descansar alguns minutos antes de continuar a aventura.

Deixamos Moura para trás e voltamos a entrar na tranquilidade do Baixo Alentejo pela N386, uma estrada secundária com bom piso que em breve abandona o ambiente urbano para se abrir caminho entre uma paisagem de dehesas, campos de cultivo e suaves ondulações do terreno. O trânsito desaparece quase por completo, permitindo desfrutar de uma condução relaxada e muito agradável.
O percurso alterna longas retas com curvas amplas e encadeadas que quebram a monotonia sem exigir demasiado do motociclista. De ambos os lados surgem azinheiras centenárias, olivais e pequenas explorações agrícolas, enquanto o ar traz o aroma da erva e da terra lavrada. O silêncio do campo só é interrompido pelo som constante do motor e pelo canto das aves.
Durante grande parte do troço, desfruta-se de amplos panoramas sobre as planícies do Alentejo, salpicadas por pequenos cerros e herdades isoladas. O asfalto convida a manter um ritmo tranquilo para contemplar uma paisagem que transmite uma enorme sensação de espaço e liberdade.
Na parte final a estrada serpenteia ligeiramente enquanto desce em direção a Brinches, onde reaparecem as primeiras habitações e algumas culturas junto ao núcleo urbano. A chegada é calma e agradável, mantendo o carácter rural que acompanhou todo o percurso.

A saída de Brinches marca o início de um dos grandes troços desta última etapa. A N265 leva-nos para sudeste por uma estrada de bom piso, com um traçado variado que alterna longas retas com curvas suaves e mudanças constantes de paisagem. Desde os primeiros quilómetros percebe-se que estamos a entrar numa das zonas mais autênticas do Baixo Alentejo.
O percurso atravessa um território dominado por extensos campos de cultivo, montados de sobro e olivais que se sucedem durante dezenas de quilómetros. O ar cheira a campo aberto e a vegetação mediterrânica, enquanto o tráfego é praticamente inexistente, permitindo desfrutar do som do motor e da tranquilidade que caracteriza esta região.
Pouco depois surge Serpa, uma das localidades mais monumentais do sul de Portugal. O seu castelo, as muralhas medievais e o característico casario branco merecem bem uma paragem para passear pelas suas ruas e descobrir, além disso, o famoso queijo de Serpa, um dos produtos gastronómicos mais conhecidos do Alentejo.
A rota continua a bordear o Parque Natural do Vale do Guadiana. A paisagem torna-se mais ondulada e começam a aparecer pequenas barragens, ribeiros e zonas florestais que dão variedade ao percurso. A estrada ganha interesse com curvas mais frequentes e ligeiros desníveis, mantendo sempre um excelente piso que convida a uma condução descontraída e prazerosa.
Nos últimos quilómetros o terreno torna-se mais recortado e as vistas abrem-se sobre o vale do Guadiana. Aos poucos começam a surgir as primeiras panorâmicas de Mértola, uma das localidades mais espetaculares de Portugal, situada sobre um promontório dominando o rio. A silhueta do seu castelo e das casas brancas anuncia a chegada a um dos grandes tesouros históricos de A Rota 18.
O troço termina em Mértola, uma vila histórica que merece ser percorrida com calma antes de enfrentar os últimos quilómetros desta inesquecível aventura por Portugal.

Este breve troço permite descobrir um dos lugares mais espetaculares de toda a A Rota 18. Deixamos para trás as ruas de Mértola seguindo a N122 enquanto descemos em direção ao rio Guadiana. O ambiente urbano dá rapidamente lugar a uma paisagem de encostas cobertas de vegetação mediterrânica, onde cada curva oferece uma nova perspetiva desta histórica localidade.
Antes de sair da cidade, vale a pena parar alguns minutos para contemplar o castelo de Mértola, a antiga alcáçova islâmica e o conjunto de casas brancas que se derramam pela encosta até ao rio. Poucas povoações portuguesas preservam um património histórico tão bem integrado na paisagem.
A estrada cruza o Guadiana pela elegante ponte de arcos que vence o profundo vale do rio. Dali obtêm-se magníficas vistas do leito, das muralhas de Mértola e das colinas que rodeiam a vila, tornando-se um dos grandes miradouros de toda a rota.
Depois de atravessar a ponte, a N122 continua durante algumas centenas de metros contornando o Parque Natural do Vale do Guadiana, entre azinheiras, mato mediterrânico e o murmúrio da água que fica para trás. É um troço curto, mas cheio de beleza e de excelentes oportunidades para fotografar.
O troço termina numa bifurcação, onde teremos de seguir pela ramificação da direita para entrar na N267 e continuar a rota.

Já a ponto de sair do Parque Natural do Vale do Guadiana, o traçado torna-se muito mais íntimo do que nos quilómetros anteriores, ligando curvas suaves e pequenas mudanças de inclinação que tornam a condução especialmente agradável.
A paisagem é dominada pelas dehesas alentejanas, onde sobreiros centenários se alternam com prados e pequenas parcelas agrícolas. O tráfego é praticamente inexistente e o silêncio do entorno só é quebrado pelo som do motor e pelo canto das aves que habitam este espaço natural.
Ao longo do percurso surgem alguns cruzamentos que levam a pequenas aldeias como São Sebastião dos Carros ou Brites Gomes, embora a nossa rota continue sempre pela N267. A estrada convida a manter um ritmo tranquilo para apreciar o aroma da vegetação, o ar puro e as amplas vistas sobre as suaves colinas do interior do Alentejo.
Nos metros finais, o traçado desce ligeiramente até chegar a um entroncamento onde deixamos a estrada principal para continuar a explorar as estradas secundárias desta comarca.

Este troço leva-nos pela M506-1, uma daquelas estradas secundárias que resumem na perfeição a essência do interior do Alentejo. O asfalto, estreito mas em bom estado, serpenteia entre colinas suaves, ligando curvas de todos os raios e pequenas alterações de inclinação que tornam a condução muito divertida sem nunca perder a sensação de tranquilidade.
A paisagem alterna vastas dehesas, campos de cereal e olivais com pequenas depressões percorridas por ribeiros sazonais. As azinheiras surgem dispersas pelas encostas, proporcionando sombra e esse aroma inconfundível a campo mediterrânico que acompanha grande parte do percurso. O tráfego continua praticamente inexistente, permitindo desfrutar do som do motor e da calma transmitida por este recanto do Parque Natural do Vale do Guadiana.
Ao longo do caminho passamos junto a pequenas aldeias como São Sebastião dos Carros, Góis ou São Miguel do Pinheiro, onde umas poucas casas brancas quebram a imensidão da paisagem agrícola. São lugares onde parece que o tempo corre a outro ritmo e onde é fácil imaginar a vida tradicional do Alentejo.
A estrada mantém um traçado muito variado, com sucessivas curvas suaves que obrigam a mexer a mota de um lado para o outro de forma natural. A partir de alguns pontos altos obtêm-se bonitas panorâmicas das ondulações do terreno, salpicadas de culturas e árvores isoladas que acrescentam profundidade à paisagem.
O troço termina num entroncamento em T onde teremos de virar à direita para entrar na M506 e continuar a rota.

Este é um trecho de ligação muito curto que decorre inteiramente pela M506. A estrada mantém um pavimento em bom estado e um traçado praticamente retilíneo, atravessando a paisagem aberta e agrícola característica do interior do Alentejo.
Ao longo deste curto percurso predominam as grandes parcelas de cultivo e a sensação de amplitude oferecida pelas suaves planícies da região. O tráfego costuma ser muito escasso, pelo que bastam apenas alguns segundos para ligar à estrada seguinte.
O troço termina num cruzamento, onde teremos de virar à esquerda para continuar a rota.

Este troço abandona as grandes planícies para entrar numa paisagem muito mais ondulada e apelativa. A estrada, estreita mas com bom piso, serpenteia entre suaves colinas seguindo o relevo do terreno, oferecendo uma condução divertida, na qual se alternam pequenas retas, curvas em sequência e ligeiras mudanças de inclinação.
Durante os primeiros quilómetros, as vistas abrem-se sobre um mosaico de dehesas, pastagens e encostas cobertas de mato mediterrânico. Em ambos os lados surgem azinheiras dispersas e pequenos patamares agrícolas que dão variedade à paisagem, enquanto o ar limpo e o silêncio do ambiente convidam a desfrutar de uma condução descontraída.
A estrada cruza a Ribeira de Vascão, um pequeno curso de água que marca um dos recantos mais agradáveis do percurso, antes de continuar a subir suavemente entre colinas cobertas de vegetação. O traçado mantém um ritmo muito divertido, ideal para encadear curvas sem pressa enquanto se contemplam as panorâmicas do vale.
Na parte final, a paisagem volta a abrir-se e aparecem as primeiras casas de Martim Longo, uma tranquila localidade do interior do Algarve. As suas ruas caiadas e o seu ambiente sereno contrastam com a solidão do campo percorrido nos quilómetros anteriores.
Ao chegar a Martim Longo, viraremos à direita em direção a Faro e Cachopo.

Este curto troço começa por deixar para trás as últimas ruas de Martim Longo para entrar na N124. A estrada mantém um bom piso e um traçado simples, com uma ligeira sequência de curvas largas que permite sair do núcleo urbano com tranquilidade antes de voltar a entrar na paisagem rural do interior do Algarve.
O ambiente é dominado por pequenas colinas cobertas de vegetação mediterrânica, com eucaliptos, azinheiras e mato a acompanhar a estrada. À medida que se ganha alguma distância da vila, o som da natureza volta a impor-se sobre o trânsito, criando uma agradável sensação de tranquilidade.
Embora tenha apenas dois quilómetros, este troço serve de transição entre a localidade e as estradas secundárias que voltarão a levar-te por algumas das zonas mais solitárias e autênticas do sul de Portugal.
O troço termina num cruzamento, onde deverás virar à direita para entrar na N124-2.

Tendo deixado para trás há pouco Martim Longo, seguimos agora pela N124-2 para voltar a entrar no interior montanhoso do Algarve. A estrada, estreita mas com bom piso, serpenteia entre colinas suaves, ligando curvas amplas e mudanças de inclinação que convidam a desfrutar de uma condução descontraída e muito divertida.
A paisagem é dominada por pequenas serras cobertas de mato mediterrânico, azinheiras e sobreiros, alternadas com zonas de cultivo e socalcos que aproveitam todos os recantos do terreno. O ar traz o aroma da vegetação bravia e o silêncio só é quebrado pelo som do motor e pelo canto das aves.
Ao longo do percurso atravessas pequenos núcleos rurais como Pereiro, Messegueiro e Tremelejo, onde o ritmo de vida parece ter parado no tempo. São aldeias simples e autênticas que preservam o carácter tradicional do Algarve mais desconhecido, bem longe da costa e do turismo em massa.
As curvas contínuas permitem desfrutar da paisagem de diferentes perspetivas, descobrindo vales, encostas cobertas de vegetação e o curso sinuoso da Ribeira da Foupana, que acompanha boa parte do trajeto.
O troço termina num entroncamento onde deverás entrar à direita e continuar pela M504.

A M504 continua a avançar para o coração do Algarve interior por uma dessas estradas que parecem feitas para desfrutar da moto. O piso mantém-se em bom estado, e o traçado alterna retas curtas com uma sucessão constante de curvas amplas e ligadas entre si, que obrigam a manter um ritmo fluido e agradável.
A paisagem torna-se cada vez mais montanhosa. As encostas surgem cobertas de sobreiros, azinheiras e mato mediterrânico, enquanto pequenos vales se abrem de ambos os lados da estrada, oferecendo amplas panorâmicas sobre um território praticamente despovoado. O aroma da terra e da vegetação selvagem acompanha o percurso, interrompido apenas pelo som do motor e do vento.
Em vários pontos, a estrada serpenteia seguindo o relevo natural do terreno, oferecendo uma combinação divertida de curvas de diferentes raios e pequenas mudanças de inclinação que tornam este troço um dos mais entretidos da etapa.
Pouco antes de terminar, surgem as primeiras casas de Ameixial, uma tranquila aldeia serrana onde o tempo parece passar a outra velocidade. As suas ruas brancas anunciam a chegada a esta pequena localidade, rodeada de colinas e natureza.

Mal se abandona Ameixial, começa um dos troços mais divertidos de toda a etapa. A N2 entra pelas serras do Algarve, com um piso em muito bom estado e um traçado repleto de curvas encadeadas, mudanças de desnível e contínuas variações de ritmo que vão deliciar qualquer motociclista.
A estrada abre caminho por uma paisagem dominada por sobreiros, azinheiras, eucaliptos e encostas cobertas de vegetação mediterrânica. Em alguns pontos desce até pequenos vales para depois voltar a ganhar altitude, oferecendo bonitas panorâmicas sobre as ondulações da serra e o curso da Ribeira do Vascão.
Para além da vista, vale a pena prestar atenção ao intenso aroma da terra húmida, da esteva e dos eucaliptos, enquanto o silêncio do ambiente só é quebrado pelo som do motor e pelo canto das aves. É um daqueles lugares em que a sensação de isolamento faz parte do encanto do percurso.
As curvas sucedem-se durante boa parte do troço, sempre com boa visibilidade e um traçado muito natural que convida a ligá-las com suavidade. Pouco a pouco a paisagem abre-se e surgem os primeiros campos de cultivo que anunciam a proximidade de Dogueno.

Ao deixar Dogueno para trás, abandonamos a N2 para entrar na M506, uma estrada muito mais estreita e tranquila que se adentra de cheio no Algarve mais rural. Desde os primeiros metros o trânsito praticamente desaparece e a sensação de isolamento aumenta, permitindo desfrutar da condução num ambiente completamente natural.
O traçado é muito variado. Sucedem-se curvas de todos os raios, pequenas mudanças de relevo e troços que serpenteiam entre suaves colinas cobertas de sobreiros, azinheiras e vegetação mediterrânica. O bom estado do piso permite manter um ritmo ágil, embora convenha prestar atenção às curvas mais apertadas que surgem de forma inesperada.
Ao longo do percurso atravessas pequenos núcleos como Monte da Cumeada-Santa Cruz e Corte Figueira, onde umas poucas casas brancas quebram a imensidão da paisagem. Os prados, os muros de pedra e as árvores dispersas transmitem a verdadeira essência do interior algarvio, bem longe do ambiente costeiro.
Além das vistas, vale a pena apreciar o cheiro da vegetação selvagem e da terra aquecida pelo sol, enquanto o único som constante é o do motor acompanhado pelo canto dos pássaros. São quilómetros que convidam a abrandar e a saborear cada curva.
O troço termina num cruzamento em T, onde deverás virar à esquerda para entrar na M1239 e continuar o percurso.

Depois de entrares na M1239, continua a imersão no Algarve mais desconhecido. A estrada, estreita e perfeitamente asfaltada, serpenteia entre suaves montanhas com um traçado muito fluido, alternando longas curvas de grande raio com ligeiras mudanças de inclinação que tornam a condução especialmente agradável.
A paisagem volta a ser dominada por colinas cobertas de mato mediterrânico, sobreiros e pequenos pinhais que se alternam com pradarias salpicadas de flores silvestres. A ausência quase total de trânsito permite desfrutar plenamente do entorno, onde o ar limpo transporta o aroma da vegetação e o único som constante é o do motor acompanhado pelo canto das aves.
Ao longe surgem amplas panorâmicas sobre as serras do interior do Algarve, enquanto a estrada desenha elegantes curvas seguindo o relevo natural do terreno. É um troço curto, mas muito agradável, em que vale a pena levantar o olhar de vez em quando para contemplar a paisagem que se abre à tua frente.
A pequena aldeia de Carvais de Baixo fica a um lado do percurso, mantendo intacto o carácter tranquilo e rural desta zona do sul de Portugal.
Sem nos darmos conta, acabámos de entrar na M503.

A M503 continua a oferecer uma das viagens mais espetaculares de todo o interior do Algarve. Logo nos primeiros quilómetros, a estrada enrosca-se acompanhando o relevo da serra, ligando curvas de todos os raios, subidas, descidas e mudanças de nível contínuas que transformam este troço num verdadeiro prazer para qualquer motociclista.
As montanhas sucedem-se umas às outras formando uma paisagem de grande beleza. De vários miradouros naturais contemplam-se vales intermináveis cobertos de sobreiros, eucaliptos e mato mediterrânico, com tonalidades verdes que mudam a cada curva. O ar cheira a serra e vegetação selvagem, enquanto o silêncio só é interrompido pelo som do motor e por alguma ave de rapina que sobrevoa as encostas.
A estrada mantém um piso excelente e uma largura suficiente para desfrutar da condução em segurança, embora as numerosas curvas aconselhem a manter um ritmo tranquilo para saborear cada recanto do percurso. É um desses troços em que custa decidir se devemos olhar para a curva seguinte ou parar para contemplar a paisagem.
Durante a descida, passa-se junto à pequena aldeia de Malhão antes de continuar entre montanhas cada vez mais abertas, com panorâmicas que alcançam vários quilómetros de distância e transmitem a sensação de estar a percorrer um território completamente selvagem.
Já percorrida metade da rota, chegamos a Cortinhola, onde mudamos de troço.

Este troço continua pela M542, uma estrada estreita e muito pouco movimentada que continua a penetrar pelas montanhas do Algarve. Desde os primeiros metros, o percurso mantém um carácter muito agradável, com curvas suaves, mudanças de direção constantes e um piso em bom estado que convida a desfrutar da condução sem pressas.
A paisagem alterna pequenos bosques de sobreiros e eucaliptos com encostas cobertas de vegetação mediterrânica. Em vários pontos, a estrada abre-se para pequenas valas antes de voltar a entrar entre as colinas, oferecendo uma agradável sensação de estar a percorrer uma comarca praticamente desconhecida.
Ao longo do percurso atravessas pequenos núcleos rurais como Monte Ruivo e Alria, onde umas poucas casas brancas e as hortas familiares lembram que a vida aqui segue um ritmo muito diferente do da costa. O cheiro da vegetação, a tranquilidade do ambiente e o som do motor transformam estes quilómetros numa experiência especialmente relaxante.
As curvas nunca desaparecem por completo, embora sejam amplas e permitam encadear umas com as outras com grande fluidez. Pouco a pouco, surgem mais habitações dispersas que anunciam a chegada às imediações de Cortinhola, onde a paisagem volta a humanizar-se.
Mais uma vez, continuamos em frente mudando de estrada, desta vez para uma via sem nome.

Este troço continua por uma estrada secundária que segue o relevo da serra antes de ligar à N124. Durante os primeiros quilómetros, o percurso mantém um traçado muito divertido, alternando curvas amplas, pequenas mudanças de inclinação e um piso em bom estado que convida a desfrutar da condução com quase nenhum trânsito.
A estrada atravessa uma paisagem de colinas cobertas de sobreiros, azinheiras e vegetação mediterrânica, descendo pouco a pouco até um vale percorrido pela Ribeira do Gafo. Em alguns pontos abrem-se bonitas panorâmicas sobre as montanhas do Algarve, enquanto o aroma do mato e o ar fresco acompanham cada curva.
Depois de passar pelas imediações de Marmeleiros, o traçado começa a suavizar-se e surgem as primeiras retas, anunciando a transição para uma zona mais aberta e habitada. Os pequenos campos de cultivo e as casas dispersas vão substituindo aos poucos a paisagem serrana.
Nos últimos quilómetros a estrada ganha largura e torna-se mais rápida, permitindo rolar com tranquilidade enquanto te aproximas das imediações de Aldeia Ruiva, onde voltarás a encontrar a N124.
O troço termina num cruzamento em T, onde deverás virar à direita para entrar na N124 e continuar a rota.

A N124 continua a oferecer uma condução muito agradável enquanto serpenteia pelo interior do Algarve. É uma estrada larga, com bom piso e curvas de raio médio que se sucedem com naturalidade, permitindo manter um ritmo fluido e prazeroso sem necessidade de grandes esforços no guiador.
A paisagem continua dominada pelas suaves serras cobertas de azinheiras, sobreiros e vegetação mediterrânica. À medida que avanças, surgem pequenos barrancos, ribeiros e zonas arborizadas que trazem frescura ao percurso. Se o vento vier da serra, notarás o aroma característico da esteva e do mato baixo, acompanhado apenas pelo som do motor e pelo canto dos pássaros.
Durante o percurso passas perto da Barragem do Arade, um dos principais reservatórios do Algarve, cujas águas abastecem boa parte da região. Embora a estrada não se aproxime diretamente da barragem, em alguns pontos entrevê-se a lâmina de água entre as colinas.
A rota atravessa pequenas aldeias como Canhestros ou Pinheiro e continua a alternar curvas e breves retas entre uma paisagem cada vez mais verde. O trânsito costuma ser escasso, o que permite desfrutar plenamente deste troço antes de te aproximares das imediações de Enxerim.
O troço termina ao chegar a Enxerim, uma pequena localidade situada às portas de Silves, de onde a rota continuará a aproximar-se de um dos conjuntos históricos mais importantes do Algarve.

Este troço abandona Enxerim pela M502 para voltar a entrar no coração montanhoso do Algarve. A estrada mantém um excelente piso e largura suficiente para desfrutar da condução, ligando curvas de todos os raios com constantes alterações de cota que mantêm o percurso sempre interessante.
Muito depressa desaparecem as últimas casas e a paisagem fica dominada por um extenso mosaico de colinas cobertas de sobreiros, eucaliptos e pinheiros. As vistas abrem-se sobre vales profundos onde o silêncio só é quebrado pelo som do motor e pelo canto das aves, enquanto o aroma da vegetação mediterrânica acompanha boa parte do percurso.
A rota contorna a Mata Nacional da Herdade da Parra, um dos grandes espaços florestais desta zona do Algarve, e oferece vários miradouros naturais de onde contemplar um mar de montanhas cobertas de vegetação. Ao longe, surgem também as águas da Barragem de Odelouca, um dos maiores reservatórios da região.
As curvas sucedem-se sem interrupção, alternando pequenas descidas e subidas que fazem deste um dos troços mais divertidos para o motociclista. O trânsito costuma ser muito escasso, pelo que é fácil aproveitar o ritmo da estrada sem pressas, mantendo sempre atenção à fauna que ocasionalmente pode atravessar a faixa de rodagem.
Nos últimos quilómetros a paisagem começa a abrir-se ligeiramente e reaparecem algumas casas dispersas antes de chegar à N267. O troço termina num cruzamento em T onde deves virar à esquerda para entrar nesta estrada e continuar a rota.

A N267 encara um dos troços mais espetaculares de toda a etapa. Ao longo de mais de cinquenta quilómetros, a estrada mergulha na Serra de Monchique, ligando curvas, mudanças de inclinação e sucessivos contornos que tornam este percurso um verdadeiro prazer para qualquer motociclista. O piso é excelente e o traçado convida a conduzir com precisão, sempre acompanhado por uma paisagem que nunca deixa de surpreender.
A rota atravessa um ambiente totalmente montanhoso, onde predominam os bosques de eucaliptos, sobreiros e pinheiros. Os aromas da serra intensificam-se, sobretudo depois da chuva ou durante as primeiras horas do dia, enquanto o ar se torna mais fresco e húmido à medida que se ganha altitude. O som do vento entre as árvores e o canto das aves substituem quase por completo o trânsito, que costuma ser muito reduzido.
Um dos grandes protagonistas do percurso é Monchique, considerada a capital da serra algarvia. As suas ruas brancas em socalcos na encosta e o ambiente tranquilo convidam a parar uns minutos para passear, tomar alguma coisa ou simplesmente contemplar as vistas que esta bonita vila serrana oferece.
Pouco depois surgem as imediações de Caldas de Monchique, uma histórica estância termal conhecida desde a época romana pelas propriedades das suas águas minerais. Rodeada por uma vegetação exuberante, constitui um dos recantos mais singulares do Algarve e um local perfeito para fazer uma pausa, se o tempo o permitir.
A estrada continua a desenhar curvas entre vales profundos e encostas cobertas de floresta antes de iniciar uma descida progressiva para oeste. Pouco a pouco, a paisagem muda, as montanhas perdem altitude e começam a surgir pequenas aldeias e zonas agrícolas que anunciam a proximidade da costa atlântica.
O troço termina ao chegar a Aljezur, uma das localidades com mais encanto do sudoeste português. Dominada pelas ruínas do seu castelo medieval e atravessada pelo rio Aljezur, esta localidade marca o regresso ao Atlântico e o início dos últimos quilómetros de A Rota 18.

Deixamos Aljezur para trás pela N120 e começamos a descer para sul, seguindo durante estes oito quilómetros uma estrada de duas faixas que atravessa um cenário cada vez mais verde. O traçado é simples, com longas retas combinadas com curvas suaves, embora o asfalto mostre zonas reparadas e alguns remendos que aconselham a não esquecer o estado do piso.
Já nos encontramos plenamente dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, embora o Atlântico permaneça escondido à nossa direita atrás das colinas. A vegetação aproxima-se bastante da estrada e, em alguns pontos, as árvores formam pequenos corredores de sombra. Aqui também muda a sensação na moto: o ar atlântico pode parecer mais fresco e húmido e, quando sopra da costa, chega carregado com esse cheiro a vegetação e mar que anuncia que estamos a percorrer um dos extremos mais ocidentais de Portugal.
À nossa direita ficam os acessos para Vale da Telha e Arrifana. Esta última é uma das pequenas joias da Costa Vicentina, com uma praia encaixada entre grandes falésias e aberta diretamente ao oceano. Não passamos por lá, mas quem tiver tempo pode tê-la em conta como possível desvio.
A N120 continua para sul entre floresta, mato e pequenas zonas abertas, num percurso tranquilo que contrasta com as estradas muito mais sinuosas que acabámos de deixar para trás na Serra de Monchique. Pouco a pouco vamos somando quilómetros em direção ao extremo sudoeste de Portugal: já percorremos 362 dos 497 quilómetros desta última etapa.
O troço termina ao chegar ao cruzamento com a N268. Aqui deixamos a N120, virando à direita para continuar para sul pela N268.

Tomamos a N268 e seguimos avançando para sul, com o Atlântico a acompanhar-nos bem de perto à nossa direita, embora durante grande parte do percurso permaneça escondido pela vegetação e pelas suaves elevações do terreno. A estrada é estreita, mas confortável, com bom piso, linha central e um traçado tranquilo em que predominam as retas e as curvas suaves.
Seguimos completamente imersos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Pinheiros, eucaliptos, mato e vegetação adaptada ao ambiente atlântico ocupam as margens da estrada e, em alguns pontos, as copas das árvores proporcionam agradáveis zonas de sombra. Aqui o ar já tem outro caráter: mais húmido, com a brisa vinda do oceano e esse leve cheiro a sal que nos lembra constantemente o quão perto estamos do mar.
À altura de Bordeira, a rota aproxima-se especialmente da costa e passa muito perto da Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira. É uma enorme praia aberta ao Atlântico, rodeada por dunas e falésias, numa das paisagens mais selvagens desta parte de Portugal. Não é necessário sair da rota para perceber que estamos a percorrer uma costa muito diferente da imagem mais turística do Algarve.
A partir daqui, a N268 continua para sul por um território cada vez mais aberto e exposto ao vento. A vegetação perde altura, surgem grandes extensões de mato e o horizonte ganha protagonismo. Sobre a moto sente-se especialmente essa proximidade do oceano: o vento, o cheiro a sal e, quando a estrada se aproxima das falésias, até o rumor distante do mar já fazem parte da viagem.
São quilómetros para saborear com calma. Estamos a percorrer o extremo sudoeste de Portugal e a aproximar-nos de um dos lugares mais emblemáticos de toda a A Rota 18. Ao chegar a Vila do Bispo, o conta-quilómetros da etapa marca aproximadamente 389 quilómetros, pelo que faltam pouco mais de cem para completar este último dia.
O troço termina em Vila do Bispo. Entramos na localidade e continuamos a seguir a rota, preparando-nos para enfrentar os últimos quilómetros por este espetacular recanto do Algarve.

Desde Vila do Bispo, seguimos rumo este pela N125 e, quase sem darmos conta, começamos a percorrer a fachada sul do Algarve. Fica para trás a costa ocidental, mais selvagem e exposta ao Atlântico, e à nossa frente temos um troço longo, de cerca de 60 quilómetros, que nos levará até Pêra.
A estrada muda por completo em relação aos últimos troços. A N125 é um dos grandes eixos de comunicação do Algarve e isso nota-se logo: faixa de rodagem mais larga, longas retas, numerosas entradas, rotundas e bastante mais trânsito. Aqui é preciso mudar o chip e esquecer por um bocado as pequenas estradas solitárias de que temos desfrutado até agora.
Passamos nas proximidades de Budens e continuamos em direção a Lagos, uma das cidades históricas mais importantes do Algarve. Embora a rota não entre no seu centro, vale a pena recordar que Lagos conserva um belíssimo casco histórico amuralhado e que muito perto se encontra Ponta da Piedade, com as suas falésias espetaculares, arcos naturais e formações rochosas sobre um mar de águas turquesa.
Seguimos depois para Portimão atravessando uma das zonas mais povoadas e turísticas de todo o percurso. A paisagem alterna entre urbanizações, comércio e zonas agrícolas, enquanto o ambiente mediterrânico se torna evidente na temperatura, nos cheiros da vegetação e, em determinados pontos, na brisa que chega do mar.
Um dos momentos mais reconhecíveis deste troço surge ao cruzar a Ribeira de Boina, muito perto da sua foz no rio Arade. A estrada atravessa uma ampla zona de água e sapais que abre de repente a paisagem e permite respirar durante alguns instantes entre as áreas urbanizadas. Do outro lado fica já o entorno de Lagoa.
A partir daqui continuamos a avançar para este pela N125. Estamos a atravessar o Algarve turístico, mas também um território onde ainda sobrevivem pomares, pequenas parcelas agrícolas e zonas de vegetação mediterrânica entre as povoações. O som do trânsito volta a ser protagonista e a condução exige mais atenção a cruzamentos, entradas e veículos do que nos quilómetros anteriores.
Finalmente chegamos a Pêra com 449 quilómetros acumulados. A esta altura já se começa a sentir que a viagem se aproxima do desfecho: depois de tantos quilómetros a percorrer Portugal de norte a sul, faltam apenas uns cinquenta para completar esta última etapa de A Rota 18.

De Pêra deixamos para trás a N125 e seguimos pela M526, uma estrada bem mais tranquila que nos devolve a um ritmo mais pausado. Ao longo dos próximos 23 quilómetros, avançaremos para leste, à procura novamente dessas estradas secundárias que permitem desfrutar do Algarve com mais calma.
A paisagem também muda de escala. A estrada atravessa pequenas zonas residenciais e agrícolas, com casas dispersas, muros, parcelas cultivadas e vegetação mediterrânica abundante. Palmeiras, oliveiras e outras árvores acompanham o percurso, enquanto o ar quente do sul e os aromas da vegetação voltam a entrar-nos debaixo do capacete.
Passamos por locais como Quinta da Saudade, Patroves e as imediações de Albufeira. Estamos muito perto do oceano Atlântico, embora o percurso se mantenha no interior e o mar nem sempre esteja visível. Albufeira fica a sul do nosso trajeto, um dos grandes centros turísticos do Algarve, conhecido pelo seu centro histórico de casas brancas e pelas praias e falésias que caracterizam esta parte da costa.
Continuamos pela M526 atravessando Areias de São João e seguindo depois por Branqueira, Vale Navio, Vale da Azinheira e Patã de Baixo. É um Algarve muito diferente do das montanhas e dos grandes espaços solitários que percorremos anteriormente: aqui as povoações praticamente se sucedem umas às outras e é preciso prestar mais atenção aos cruzamentos, aos acessos às casas e ao tráfego local.
Ainda assim, entre umas zonas habitadas e outras surgem pequenas aberturas de campo e vegetação, suficientes para nos lembrar de que continuamos a viajar de estrada e não apenas a atravessar uma grande área urbana. O som da moto mistura-se agora com uma vida muito mais presente à nossa volta.
Finalmente chegamos a Maritenda com cerca de 472 quilómetros acumulados. O fim desta etapa está já muito perto e a sensação muda inevitavelmente: depois de tudo o que percorremos ao longo do dia, faltam apenas alguns quilómetros para completar a nossa viagem até ao extremo sudeste de A Rota 18.

Desde Maritenda, entramos na N125, uma das grandes artérias que atravessam o Algarve de leste a oeste. A mudança em relação às pequenas estradas dos troços anteriores é evidente: a faixa de rodagem é mais larga, o trânsito aumenta e surgem continuamente acessos, cruzamentos, comércios e zonas residenciais. Nos próximos 16 quilómetros toca mudar o ritmo e prestar um pouco mais de atenção a tudo o que acontece à nossa volta.
Seguimos para leste por um território cada vez mais urbanizado. Deixamos a sul a zona de Quarteira e Vilamoura, dois dos grandes destinos turísticos desta parte do Algarve, enquanto o percurso continua pelo interior sem se aproximar diretamente da costa. O Atlântico fica a poucos quilómetros, mas aqui são as casas, os negócios e as pequenas localidades que dominam a paisagem.
A N125 leva-nos pelas proximidades de Quatro Estradas e Almancil. É uma estrada rápida e bastante reta, embora as numerosas entradas e acessos aconselhem a manter uma condução tranquila. O som do trânsito volta a estar presente e substitui por um momento o silêncio das estradas rurais de que temos desfrutado durante boa parte da etapa.
Ultrapassada Almancil, continuamos por Cerro do Galo e Lourenço. De ambos os lados alternam-se áreas comerciais e residenciais com manchas de vegetação mediterrânica, e as palmeiras que aparecem de vez em quando acabam por nos lembrar que estamos a percorrer o Algarve mais próximo da costa.
Pouco depois alcançamos São João da Venda com cerca de 488 quilómetros acumulados. A etapa está já a entrar nos seus últimos quilómetros, mas ainda há estrada pela frente antes de chegarmos ao nosso destino.

Desde São João da Venda continuamos para leste, entrando já nos arredores de Faro. São apenas 5 quilómetros, mas a paisagem volta a mudar: a IC4 adquire aqui um carácter claramente urbano e suporta muito mais trânsito, com várias faixas, cruzamentos, entradas e numerosos estabelecimentos de ambos os lados da estrada.
Deixamos para trás São João da Venda e passamos nas proximidades de Arneiro-Almancil e Patacão. À nossa volta, misturam-se zonas abertas com áreas comerciais, restaurantes e habitações, enquanto o trânsito e o seu rumor constante nos recordam que nos estamos a aproximar de uma das principais cidades do Algarve.
A condução exige agora mais atenção do que prazer em curva. O ritmo é ditado pelos veículos que nos rodeiam, pelos acessos laterais e pelos cruzamentos. Depois de tantos quilómetros percorridos por estradas solitárias, montes e pequenas aldeias, este ambiente torna-se quase estranho e deixa claro que a etapa está a chegar ao fim.
Faro já está muito perto. À nossa direita fica a zona de Gambelas e o campus da Universidade do Algarve, enquanto continuamos a avançar pela via principal em direção à periferia da cidade.
Por volta do quilómetro 493 da etapa, chegamos a uma bifurcação. Aqui devemos manter-nos à direita para continuar pela N125.

Este é um daqueles troços que duram apenas alguns minutos, mas que servem para ligar duas estradas importantes. Continuamos pela N125-1 durante cerca de um quilómetro, ainda no entorno de Faro e com uma paisagem completamente diferente da das estradas solitárias que marcaram grande parte da etapa.
A via é larga, com várias faixas e tráfego frequente. O ruído dos carros, as entradas e o movimento constante à volta da moto passam agora a dominar as sensações. Convém manter a atenção porque nos encontramos numa zona de ligações onde as faixas se separam e as decisões surgem depressa.
A paisagem é aberta, com vegetação e algumas construções dispersas dos lados, mas aqui a estrada é a verdadeira protagonista. Já levamos cerca de 494 quilómetros de etapa e estamos praticamente às portas de Faro.
No final deste breve troço encontramos uma bifurcação. Devemos sair da N125 tomando o ramo da direita para entrar na N2.

Faltam-nos apenas três quilómetros, mas desta vez são diferentes de todos os anteriores. Tomamos a N2 e começamos a entrar definitivamente em Faro. Estamos a percorrer o último troço da etapa 10 e, ao mesmo tempo, o último troço de A Rota 18.
A estrada leva-nos em direção ao centro da cidade entre edifícios, lojas e um tráfego cada vez mais urbano. Depois de tantos quilómetros de pequenas estradas, montanhas, campos, florestas, aldeias e vilas portuguesas, o som dos carros e o movimento de Faro anunciam que a viagem está a chegar ao fim.
E talvez seja precisamente agora que comecem a passar pela nossa cabeça alguns dos momentos vividos desde que arrancámos em Monção. Atravessámos Portugal de norte a sul, à procura de estradas secundárias, recantos afastados e lugares que provavelmente nunca teríamos conhecido de outra forma. A Rota 18 não pretendia levar-nos rapidamente até aqui. Muito pelo contrário: a estrada foi a desculpa para conhecer o país pouco a pouco, de cima da nossa moto.
Faro recebe-nos no final de uma aventura que termina num lugar especialmente apropriado para isso: a sede do Moto Clube de Faro. Não estamos a chegar a um motoclube qualquer. As suas origens remontam à década de 1970 e foi constituído oficialmente em 1982, o mesmo ano em que organizou a primeira Concentração de Motociclistas de Faro. Com o passar dos anos, aquele encontro tornou-se a célebre Concentração Internacional de Motociclismo de Faro, toda uma referência para motociclistas vindos de numerosos países.
A sua sede atual, situada na Avenida Cidade de Hayward, abriu as portas em 2011 e é muito mais do que a base de operações do clube. Por aqui passam viajantes e aficionados das duas rodas e organizam-se concertos, apresentações de motos, atividades e encontros. O próprio Moto Clube de Faro assinala ainda que as suas instalações serviram para acolher motociclistas viajantes de passagem. É difícil imaginar um lugar mais apropriado para pôr o ponto final numa rota criada precisamente para viajar e conhecer Portugal sobre duas rodas.
Desligamos o motor depois de 497 quilómetros desta última etapa. Mas o número realmente importante é outro: atrás ficam as dez etapas de A Rota 18 e uma viagem que nos levou de Monção, junto à fronteira espanhola, até Faro, no Algarve.
Chegou o momento de estacionar a moto, tirar o capacete e desfrutar dessa mistura de cansaço, satisfação e certa pena que aparece quando termina uma grande viagem. O ruído do motor desaparece, mas ficam todos esses sons, cheiros, sabores, paisagens e sensações que fomos acumulando pelo caminho.
A Rota 18 termina aqui, no Moto Clube de Faro.
O passaporte vai ficar cheio de carimbos. A moto, certamente, precisará de descanso. E nós levamos connosco algo bastante mais difícil de guardar numa mala: a lembrança de termos percorrido Portugal de uma forma diferente.
Parabéns. Conseguimos. A Rota 18 está concluída.
